{"id":778,"date":"2020-08-24T12:30:10","date_gmt":"2020-08-24T12:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/?p=778"},"modified":"2020-08-24T13:24:51","modified_gmt":"2020-08-24T13:24:51","slug":"um-novo-modo-de-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/2020\/08\/24\/um-novo-modo-de-viver\/","title":{"rendered":"Um novo modo de viver"},"content":{"rendered":"<h3>Arquiteto campineiro integra grupo internacional que debate e elabora diretrizes de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano p\u00f3s-pandemia<\/h3>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do ser humano com tudo que o cerca (e consigo mesmo) n\u00e3o ser\u00e1 mais a mesma depois da pandemia de Covid-19. Economia, pol\u00edtica e meio ambiente foram afetados e inevitavelmente revistos. Novos h\u00e1bitos, um novo olhar sobre o planeta e sobre a ci\u00eancia, novas formas de trabalho e de afeto se imp\u00f5em de tal maneira que a humanidade se v\u00ea obrigada a reformular o modo de viver em sociedade: Como tocar no outro? A que dist\u00e2ncia ficar? Onde e como encontrar as pessoas? Como morar? Onde ir? A ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, portanto, tamb\u00e9m muda nesta nova ordem das coisas. Diante deste cen\u00e1rio, arquitetos do mundo inteiro discutem hoje como se dar\u00e1 esta disposi\u00e7\u00e3o e como devemos nos preparar, visto que o distanciamento e as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s aglomera\u00e7\u00f5es transformam os espa\u00e7os.<\/p>\n<p>O arquiteto, urbanista e ambientalista campineiro Andr\u00e9 Lu\u00eds Queiroz Blanco comp\u00f5e grupos no Brasil, Espanha e Portugal que debatem e elaboram as novas configura\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o urbano p\u00f3s-pandemia. No Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de S\u00e3o Paulo (CAUSP), ele integra a Comiss\u00e3o Tempor\u00e1ria sobre A\u00e7\u00f5es Emergenciais (CTAE), que foi criada em abril, al\u00e9m de ser coordenador da Comiss\u00e3o Especial de Desenvolvimento Profissional (CDP\/CAUSP). Blanco \u00e9 tamb\u00e9m diretor na \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento profissional do Sindicato dos Arquitetos de S\u00e3o Paulo (SASP), e h\u00e1 d\u00e9cadas est\u00e1 focado nas quest\u00f5es de sustentabilidade e de habita\u00e7\u00e3o social. Como professor universit\u00e1rio, ele atua hoje na Unip de Limeira e na Universidade Polit\u00e9cnica da Catalunha (UPC), em Barcelona (Espanha). Mora atualmente em Piracicaba, mas est\u00e1 retornando a Campinas, onde j\u00e1 atuou no Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura, em 1988, quando participou do levantamento das matas remanescentes da cidade e tamb\u00e9m da primeira passeata ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cSou um Bioarquiteto, cidad\u00e3o planet\u00e1rio que andou pelo mundo buscando caminhos para uma vida mais saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel\u201d, diz ele, que tamb\u00e9m j\u00e1 morou em Araras, participou da implanta\u00e7\u00e3o dos cursos de Arquitetura da Unimep em Piracicaba e em Santa B\u00e1rbara D\u2019Oeste, e \u00e9 membro da ABNT (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas) onde participa da Comiss\u00e3o de Estudo Especial de Cidades e Comunidades Sustent\u00e1veis.<\/p>\n<div class=\"fe-content\">\n<p>O arquiteto e urbanista \u00e9 ainda diretor da sociedade civil Instituto de Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Ambiente Total, que nasceu como movimento ambientalista no meio de uma efervescente converg\u00eancia estudantil entre Unicamp e PUC-Campinas na d\u00e9cada de 1980, e veio a se constituir oficialmente em 1997. Andr\u00e9 Blanco conversou com a Metr\u00f3pole sobre o uso e ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os que ocorrem, e ocorrer\u00e3o, em todo o mundo p\u00f3s-pandemia.<\/p>\n<p><strong>Qual o debate que existe hoje entre os profissionais da arquitetura e urbanismo a respeito da ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os?<\/strong><\/p>\n<p>Com a pandemia, temos discutido muito a quest\u00e3o da resili\u00eancia urbana, das novas configura\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio urbano, do adensamento, qualidade de vida, espa\u00e7o p\u00fablico, mobilidade, cidades inteligentes, enfim, novas solu\u00e7\u00f5es para a sociedade. Na Polit\u00e9cnica, em Barcelona, j\u00e1 havia esse debate.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"fe-content\">\n<p><strong>O que h\u00e1 de novo nesta discuss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 discut\u00edamos tudo isso h\u00e1 algum tempo no curso em Barcelona. H\u00e1 aulas sobre o papel do arquiteto em zonas devastadas, p\u00f3s-tsunami ou terremotos, por exemplo. Agora temos um outro modelo de devasta\u00e7\u00e3o, uma devasta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, \u00e9 uma quest\u00e3o de desastre natural por causa das rela\u00e7\u00f5es equivocadas com a natureza, com animais silvestres, com a falta de saneamento, de higiene, coisas do tipo. N\u00e3o \u00e9 uma morte anunciada, mas j\u00e1 era previsto que haveria uma grande epidemia. N\u00e3o aprendemos com os processos de outras epidemias. Ebola tinha fator agressivo maior, mas a contamina\u00e7\u00e3o era menor; o H1N1 tamb\u00e9m. Se pararmos pra pensar, n\u00e3o estamos mudando nosso sistema de habita\u00e7\u00e3o, saneamento, distribui\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 cada vez mais prec\u00e1rio. \u00c9 uma discuss\u00e3o importante sobre o modelo de desenvolvimento. Na Holanda, por exemplo, adotaram um modelo que est\u00e1 sendo discutido em v\u00e1rios lugares que \u00e9 o decrescimento, que consiste em n\u00e3o crescer mais, para investir em qualidade social e no fim da desigualdade. Parecido com a Isl\u00e2ndia, com infraestrutura igual para todo mundo. Portugal tem discutido isso tamb\u00e9m. Pra qu\u00ea ficar crescendo sem parar? Pode ser num ritmo mais lento, mas com estabilidade, para atender a necessidade de todos.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><strong>J\u00e1 existe alguma mudan\u00e7a real nesta forma de ocupar as cidades?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o ficando com medo de morar em centros urbanos, j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo um \u00eaxodo migrat\u00f3rio pra sair dos grandes centros e ir pra cidades menores, que s\u00e3o menos impactadas pela pandemia. Eu sou de Campinas e j\u00e1 estou pensando em voltar pra cidade. Nos grandes centros h\u00e1 muita gente circulando, transporte urbano inadequado, falta de infraestrutura. Se analisarmos nossas estruturas urbanas, com aus\u00eancia do planejamento e do estado, n\u00f3s temos um ambiente prop\u00edcio pra qualquer problema desse tipo. O estado deveria se preocupar mais com estes aspectos dos centros urbanos. Os pesquisadores dizem que as pandemias n\u00e3o v\u00e3o parar. Estamos preparados pra isso? N\u00e3o estamos. Tem que mudar a cabe\u00e7a dos gestores p\u00fablicos para ter ambientes mais saud\u00e1veis. \u00c9 uma quest\u00e3o sist\u00eamica.<\/p>\n<p><strong>Qual a maior dificuldade no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A aus\u00eancia de infraestrutura no Pa\u00eds, como o saneamento, \u00e9 um grande problema. Isso vai ter de mudar: a falta de planejamento e de estrutura. Tenho trabalhado junto aos munic\u00edpios e \u00e0s comunidades sustent\u00e1veis uma parceria que inclua todos os atores: poder p\u00fablico, poder privado, sociedade civil organizada e os movimentos populares, que n\u00e3o podem estar fora do processo. Nosso problema tamb\u00e9m \u00e9 o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o que escolhemos, esse modelo. Durante a Eco 92 discutiu-se a quest\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel, e a gente continua no modelo ultrapassado que \u00e9 de crescimento a qualquer custo: a gente n\u00e3o preserva, n\u00e3o recupera o ambiente, a quest\u00e3o econ\u00f4mica atende a poucos, n\u00e3o h\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o social \u00e9 sempre legada ao um assistencialismo. Aqui no Brasil e em v\u00e1rios pa\u00edses o modelo \u00e9 crescimento, \u00e9 metro quadrado, \u00e9 construtora com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><strong>Qual o papel do arquiteto nesses desastres?<\/strong><\/p>\n<p>Temos que ser preventivos, como m\u00e9dicos. Somos m\u00e9dicos do habitat, da moradia, do ambiente. N\u00e3o somos ligados \u00e0 doen\u00e7a no organismo, no corpo, que \u00e9 tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de casa; n\u00f3s cuidamos da outra casa, que tamb\u00e9m serve como a casa do ser humano. Se a gente tem um ambiente saud\u00e1vel, ventila\u00e7\u00e3o, ilumina\u00e7\u00e3o, \u00e1gua, infraestrutura, n\u00f3s diminu\u00edmos o impacto das doen\u00e7as no ser humano. O arquiteto acaba diminuindo o impacto no sistema de sa\u00fade. At\u00e9 moradias de certo n\u00edvel t\u00eam problemas de patologias, de infiltra\u00e7\u00f5es, fungos, bolor, ambientes \u00famidos, frios, por falta de projeto adequado. Precisamos trabalhar de maneira mais intensa na quest\u00e3o preventiva. Outra quest\u00e3o \u00e9 a emergencial, que estamos fazendo agora: pensar nesse momento como a gente pode melhorar a quest\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, dos equipamentos, do mobili\u00e1rio, nas melhorias habitacionais pra diminuir estas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 esta nova forma de usar e ocupar o espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o do distanciamento. S\u00e3o v\u00e1rios aspectos da infraestrutura urbana: sinaliza\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 quase um processo da quest\u00e3o museol\u00f3gica e museogr\u00e1fica da cidade. Como as pessoas v\u00e3o receber estas informa\u00e7\u00f5es pra se locomover e se movimentar pela cidade sem correr risco? O distanciamento \u00e9 uma quest\u00e3o; os equipamentos s\u00e3o outra \u2013 eles s\u00e3o criados por arquitetos: mobili\u00e1rios e equipamentos para diminuir a contamina\u00e7\u00e3o, como uma cabine de higieniza\u00e7\u00e3o, uma prote\u00e7\u00e3o de acr\u00edlico em bares e supermercados. H\u00e1 uma grande quantidade de inova\u00e7\u00e3o poss\u00edvel pra gente se proteger nesse momento. Estamos incentivando os profissionais a criarem equipamentos e mobili\u00e1rio para ajudar nesse processo. H\u00e1 tamb\u00e9m os aspectos mais graves, em regi\u00f5es e bairros da periferia, como nas favelas, regi\u00f5es onde o adensamento \u00e9 muito alto, \u00e9 preciso haver um trabalho social tamb\u00e9m. Nesse sentido, o arquiteto tamb\u00e9m pode ser um articulador de gest\u00e3o comunit\u00e1ria, de desenvolvimento comunit\u00e1rio. Tem tamb\u00e9m as pra\u00e7as e os espa\u00e7os p\u00fablicos, que precisam ter orienta\u00e7\u00e3o sobre higieniza\u00e7\u00e3o, como e onde lavar as m\u00e3os, tudo para diminuir o cont\u00e1gio e o impacto. O arquiteto tem 240 atribui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 profiss\u00e3o. Se ele pensar de maneira criativa pode trabalhar em v\u00e1rios projetos e pode trazer inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<p>CORREIO.\u00a0<b>Um novo modo de viver<\/b>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/correio.rac.com.br\/_conteudo\/2020\/08\/metropole\/982138-um-novo-modo-de-viver.html. Acesso em: 24 ago. 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquiteto campineiro integra grupo internacional que debate e elabora diretrizes de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano p\u00f3s-pandemia A rela\u00e7\u00e3o do ser humano com tudo que o cerca (e consigo mesmo) n\u00e3o ser\u00e1 mais a mesma depois da pandemia de Covid-19. Economia, pol\u00edtica e meio ambiente foram afetados e inevitavelmente revistos. Novos h\u00e1bitos, um novo olhar sobre [&#8230;]\n","protected":false},"author":1,"featured_media":779,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/778"}],"collection":[{"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=778"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/778\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":781,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/778\/revisions\/781"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}