{"id":704,"date":"2020-07-14T12:30:20","date_gmt":"2020-07-14T12:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/?p=704"},"modified":"2020-07-14T13:26:04","modified_gmt":"2020-07-14T13:26:04","slug":"leila-teixeira-a-principal-chave-para-ajudarmos-o-ambiente-e-reduzir-de-forma-drastica-a-quantidade-de-residuos-que-produzimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/criarsustentavel.com.br\/novo\/2020\/07\/14\/leila-teixeira-a-principal-chave-para-ajudarmos-o-ambiente-e-reduzir-de-forma-drastica-a-quantidade-de-residuos-que-produzimos\/","title":{"rendered":"Leila Teixeira: \u00abA principal chave para ajudarmos o ambiente \u00e9 reduzir de forma dr\u00e1stica a quantidade de res\u00edduos que produzimos\u00bb"},"content":{"rendered":"<h3>Sabia que o tamanho dos frigor\u00edficos contribui para o aumento do desperd\u00edcio alimentar? Ou que o pre\u00e7o que pagamos pelas nossas coisas \u00e9 ilusoriamente baixo? Leila Teixeira \u00e9 mentora do \u00c2ncora Verde, um projeto de educa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o ambiental, e cofundadora da Ra\u00edzes Mag. Acaba de lan\u00e7ar o livro \u00abDefender o Futuro \u2013 Manual para o Cidad\u00e3o Consciente\u00bb, para p\u00f4r toda a gente a fazer perguntas e a olhar de forma cr\u00edtica para a nossa sociedade de consumo. Em entrevista ao SAPO, aborda alguns dos principais problemas globais e tamb\u00e9m algumas controv\u00e9rsias relacionadas com o ambiente, como a reciclagem e o greenwashing.<\/h3>\n<p><strong>O que a levou a lan\u00e7ar o livro \u00abDefender o Futuro \u2013 Manual para o Cidad\u00e3o Consciente\u00bb e o que quer transmitir aos portugueses?<\/strong><\/p>\n<p>Este livro estava j\u00e1 a ser pensado h\u00e1 algum tempo, mas foi apenas com o convite da editora Livros Horizonte que este projeto se concretizou e viu a luz do dia. O meu grande objetivo foi trazer aos portugueses um livro que abordasse de forma simples assuntos que n\u00e3o estamos t\u00e3o acostumados a ouvir no dia a dia, de forma a que todos nos tornemos mais conscientes dos impactos que as escolhas que fazemos todos os dias t\u00eam no planeta e de que forma, tamb\u00e9m n\u00f3s, podemos ser agentes de mudan\u00e7a. O livro funciona ainda como uma extens\u00e3o do trabalho que tenho desenvolvido na Ra\u00edzes Mag, uma revista online dedicada ao ambiente e \u00e0 sustentabilidade, e no \u00c2ncora Verde, um espa\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><strong>Estamos \u00e0 beira do abismo no que toca \u00e0 sustentabilidade ambiental. O que nos trouxe at\u00e9 aqui, na sua perspetiva?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel apontarmos apenas uma raz\u00e3o para termos chegado at\u00e9 aonde estamos hoje. No livro, dedico um cap\u00edtulo inteiro a este tema e mesmo assim foi insuficiente para abordar todas estas quest\u00f5es. O grande problema \u00e9 que pass\u00e1mos a ver a Natureza como algo externo a n\u00f3s, como um local que existe para servir os nossos interesses. Esta forma desapaixonada de ver o mundo natural fez com que este passasse a ser \u00abapenas\u00bb o local onde vamos extrair as mat\u00e9rias-primas para produzirmos os nossos bens materiais (que podem ser de primeira necessidade, mas na maior parte das vezes s\u00e3o bens sup\u00e9rfluos). As sociedades ocidentais possuem padr\u00f5es de consumo insustent\u00e1veis, em que se privilegia a imagem e o status, e onde o consumo cont\u00ednuo de \u00abcoisas\u00bb \u00e9 visto como algo normal e, na maior parte das vezes, recomend\u00e1vel. Ora, num planeta com recursos finitos, esta l\u00f3gica de crescimento cont\u00ednuo tem certamente os dias contados \u2013 apesar de muitos continuarem a escolher ignorar esta realidade.<\/p>\n<p><strong>O impacto ambiental da sociedade de consumo tem sido ignorado, com o crescimento \u2018eterno\u2019 como objetivo na sociedade. Mas como se muda um paradigma t\u00e3o enraizado?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que o primeiro passo vem da educa\u00e7\u00e3o e da consciencializa\u00e7\u00e3o generalizada da popula\u00e7\u00e3o. As empresas apenas se regem pelo lucro, pelo crescimento e pelos padr\u00f5es econ\u00f3micos que s\u00e3o comprovadamente insustent\u00e1veis e o governo segue a mesma tend\u00eancia. A mudan\u00e7a deve come\u00e7ar pelo cidad\u00e3o comum, pelo seu conhecimento, o seu despertar para estas quest\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e requer coragem de sair da vida automatizada que levamos atualmente. Quando estamos informados e conscientes dos impactos das nossas escolhas no planeta \u2013 e, principalmente, percebemos que est\u00e1 nas nossas m\u00e3os fazer diferente \u2013 ent\u00e3o est\u00e1 dado o primeiro passo para a mudan\u00e7a de paradigma de que tanto necessitamos neste momento. Estas coisas n\u00e3o acontecem de um dia para o outro, pois as mudan\u00e7as estruturais que necessitamos de implementar enquanto sociedade v\u00e3o demorar a acontecer e a ser aceites por todos, o que nos d\u00e1 mais uma raz\u00e3o para come\u00e7armos esta mudan\u00e7a j\u00e1 hoje!<\/p>\n<blockquote><p>\u00abNUM PLANETA COM RECURSOS FINITOS, A L\u00d3GICA DE CRESCIMENTO CONT\u00cdNUO TEM CERTAMENTE OS DIAS CONTADOS\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Diz que sustentabilidade n\u00e3o rima com capitalismo. Porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das defini\u00e7\u00f5es mais comummente aceites de sustentabilidade diz-nos que esta se mede pela capacidade de satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades da gera\u00e7\u00e3o atual, sem comprometer a capacidade de as gera\u00e7\u00f5es futuras satisfazerem as suas pr\u00f3prias necessidades. Existe claramente um foco e uma preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro, em extrairmos e consumirmos de forma n\u00e3o danosa para o planeta e que n\u00e3o comprometa o nosso futuro. Quando falamos de capitalismo, o foco \u00e9 o contr\u00e1rio: crescimento, consumo cont\u00ednuo e foco no mais \u2013 ter mais, mais coisas, mais dinheiro, mais. O capitalismo privilegia o hoje em detrimento do amanh\u00e3 \u2013 \u00e9 como a velha m\u00e1xima do \u00abquem vier atr\u00e1s que feche a porta\u00bb \u2013 e est\u00e1 a levar-nos para um ponto de rutura do qual ser\u00e1 muito dif\u00edcil sair.<\/p>\n<p><strong>Explique-nos o conceito de \u2018apar\u00eancia de escolha\u2019 que vivemos na sociedade e como tal pode ser prejudicial.<\/strong><\/p>\n<p>\u00abApar\u00eancia de escolha\u00bb \u00e9 um termo cunhado por Annie Leonard que nos mostra como, num mundo cheio de coisas, para todos os gostos e feitios, onde podemos encontrar \u2013 e comprar \u2013 o poss\u00edvel e o imagin\u00e1rio, n\u00e3o temos, afinal, assim tanta escolha quanto o mercado nos leva a fazer crer. Podemos facilmente escolher entre um creme para peles secas, sens\u00edveis ou normais, com grande ou pouco poder de hidrata\u00e7\u00e3o, com aroma a baunilha ou a morango, mas teremos certamente mais dificuldade em encontrar algum que n\u00e3o contenha subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. Podemos escolher entre uma pan\u00f3plia de casacos ou t-shirts, mas n\u00e3o conseguimos saber se foram produzidos de forma justa para o ambiente e para o trabalhador. Podemos escolher, sim. Mas ser\u00e1 que s\u00e3o as escolhas certas?<\/p>\n<p><strong>O mundo anda a v\u00e1rias velocidades e h\u00e1 pessoas cuja prioridade na vida n\u00e3o \u00e9 o ambiente e sim a sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia. Como tornamos isto numa jornada coletiva numa altura em que ontem j\u00e1 era tarde?<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 um dos grandes problemas do ambientalismo: n\u00e3o podemos exigir a algu\u00e9m que luta para colocar comida na mesa para os seus filhos e que ainda n\u00e3o viu as suas necessidades b\u00e1sicas satisfeitas para se importar com este tipo de quest\u00f5es e para lhes dar a mesma import\u00e2ncia que muitos de n\u00f3s j\u00e1 lhes d\u00e3o. Podemos pensar numa resolu\u00e7\u00e3o para esta quest\u00e3o em duas frentes: na primeira, tornando as op\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis a norma, estabilizando pre\u00e7os e permitindo \u00e0s fam\u00edlias fazer uma escolha entre o produto A e o produto B, n\u00e3o pelo pre\u00e7o, mas pelos atributos do produto; por outro lado, podemos lutar por tornar a nossa sociedade mais justa e equitativa, para que cada vez mais pessoas se possam importar com estas quest\u00f5es. Em qualquer dos casos, a informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o para estas quest\u00f5es s\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p><strong>Como este tema do ambiente parece, felizmente, estar na moda, tamb\u00e9m h\u00e1 quem se aproveite disto. Quais s\u00e3o a principais \u2018mentiras verdes\u2019, ou greenwashing, que circulam por a\u00ed?<\/strong><\/p>\n<p>O mercado \u00e9 feito de tend\u00eancias e, num mercado capitalista como o nosso, as empresas t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es: ou acompanham as tend\u00eancias ou criam as tend\u00eancias. \u00c9 escusado negar que o que \u00e9 ecol\u00f3gico, verde e sustent\u00e1vel est\u00e1 na moda e vende, e \u00e9 por isso que nos \u00faltimos anos temos assistido a um\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0de novos produtos que se auto proclamam mais amigos do ambiente. Mas como \u00e9 que efetivamente podemos saber quais s\u00e3o as verdadeiras inten\u00e7\u00f5es da empresa ou da marca que os lan\u00e7ou no mercado? Pensemos, por exemplo, numa marca de moda r\u00e1pida, que produz, vende e descarta roupa a um ritmo alucinante, mas afirma que \u00e9 amiga do ambiente porque lan\u00e7ou uma cole\u00e7\u00e3o de roupa feita com algod\u00e3o ecol\u00f3gico e tintas sustent\u00e1veis. Pensemos bem: esta pequena cole\u00e7\u00e3o, que representar\u00e1 uma percentagem muito pequena da produ\u00e7\u00e3o e de vendas da empresa, far\u00e1 realmente alguma diferen\u00e7a? Se os objetivos da marca continuam a ser produzir 52 cole\u00e7\u00f5es ao ano, criando desejos e tend\u00eancias na mente dos seus consumidores, qual a raz\u00e3o para produzir uma cole\u00e7\u00e3o autoproclamada sustent\u00e1vel se n\u00e3o para cair na boa gra\u00e7a dos consumidores que est\u00e3o sensibilizados para estas quest\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Diz tamb\u00e9m que o pre\u00e7o que pagamos pelos produtos (muitos, baratos e acess\u00edveis) n\u00e3o reflete todos os seus custos. O barato sai caro? Que custos se escondem?<\/strong><\/p>\n<p>O barato sai muito caro, principalmente para o nosso planeta. \u00c9 irreal acharmos que quando pagamos 5\u20ac por uma pe\u00e7a de roupa ou pouco mais de 1\u20ac por uma tablete de chocolate estamos a pagar os custos reais que estes bens necessitaram para ser produzidos. Ou mesmo o pre\u00e7o que pagamos pelos nossos smartphones ou televis\u00f5es, j\u00e1 agora. Atualmente, o pre\u00e7o que pagamos pela maioria das nossas coisas apenas reflete alguns custos diretos como o dos materiais ou de m\u00e3o de obra \u2013 e, por vezes, nem mesmo estes (pense em casos de explora\u00e7\u00e3o laboral ou trabalho infantil). No entanto, custos indiretos como a polui\u00e7\u00e3o de freios de \u00e1gua pot\u00e1vel, polui\u00e7\u00e3o dos solos e do ar, impactos na sa\u00fade dos trabalhadores, nas comunidades e no clima em geral continuam a ser largamente (e de forma consciente) ignorados e desvalorizados pelo mercado. Se todos estes custos fossem contabilizados e inclu\u00eddos no pre\u00e7o dos nossos bens, os aumentos seriam enormes. Depois, duas coisas iriam acontecer: primeiro, assust\u00e1vamo-nos com o pre\u00e7o de coisas t\u00e3o simples como uma banana proveniente da Am\u00e9rica do Sul; depois, iriamos certamente passar a consumir de forma muito mais consciente e seletiva, o que implicaria tamb\u00e9m consumir menos.<\/p>\n<p><strong>No seu livro fala no mito da reciclagem. Porqu\u00ea? N\u00e3o \u00e9 esta uma das chaves para ajudar o ambiente?<\/strong><\/p>\n<p>A principal chave para ajudarmos o ambiente \u00e9 reduzir de forma dr\u00e1stica a quantidade de res\u00edduos que produzimos. A reciclagem \u00e9 um importante aliado para desviarmos de aterros materiais aos quais ainda pode ser dada uma segunda vida, mas nos moldes que a nossa sociedade opera a reciclagem pode mesmo ser prejudicial para o planeta. O problema da reciclagem \u00e9 que estamos a focar-nos no lado errado da quest\u00e3o. De que serve aumentarmos as taxas de reciclagem a n\u00edvel global, se o desperd\u00edcio aumenta em iguais (ou maiores) propor\u00e7\u00f5es? De que vale continuarmos a separar o lixo, se os nossos n\u00edveis de consumo n\u00e3o param de aumentar?<\/p>\n<p>Est\u00e1 mesmo comprovado que o simples facto de um produto ser rotulado como recicl\u00e1vel poder\u00e1 efetivamente contribuir para aumentar a sua procura e, consequentemente, a necessidade de utilizarmos\/extrairmos mais recursos essenciais para a sua produ\u00e7\u00e3o. Reciclar sim \u2013 sempre! Mas n\u00e3o nos devemos esquecer que antes de reciclar devemos primeiro recusar, reduzir e reutilizar.<\/p>\n<p><strong>Em 2020, o Dia de Sobrecarga da Terra chega a 22 de agosto. Acredita que vamos conseguir reverter este processo de ultrapassarmos os limites do planeta que todos os anos se regista cada vez mais cedo? Ou seja, ainda h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para tudo o que caus\u00e1mos ao planeta?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira coisa que importa reter \u00e9 que este ano o Dia de Sobrecarga da Terra se assinala a 22 de agosto unicamente devido aos efeitos que a pandemia \u2013 e respetivo confinamento for\u00e7ado \u2013 causaram no meio ambiente. Se \u00e9 certo que este ano conseguimos regredir esta data em algumas semanas, a verdade \u00e9 que nada nos nossos comportamentos se alterou de forma estrutural para que isto continue a acontecer daqui para a frente. Ali\u00e1s, a tend\u00eancia verificada at\u00e9 agora era esta data continuar a assinalar-se cada vez mais cedo. Em 2018, o Dia de Sobrecarga da Terra assinalou-se a 1 de agosto e, em 2019, dois dias mais cedo, a 29 de julho. A voltar tudo \u00e0 nossa normalidade antiga, \u00e9 expect\u00e1vel que em 2021 esta data d\u00ea novamente um salto gigante para tr\u00e1s, voltando para o final de julho.<\/p>\n<p>No entanto, se esta data fosse adiada cinco dias a cada ano, era poss\u00edvel, at\u00e9 2050, estarmos a consumir recursos de apenas um planeta Terra. Ainda \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo, mas \u00e9 necess\u00e1rio um envolvimento s\u00e9rio e global de cidad\u00e3os, empresas e governos. Apenas trabalhando em conjunto e para os mesmos objetivos conseguiremos l\u00e1 chegar.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0\u00abO PROBLEMA DA RECICLAGEM \u00c9 QUE ESTAMOS A FOCAR-NOS NO LADO ERRADO DA QUEST\u00c3O. DE QUE SERVE AUMENTARMOS AS TAXAS DE RECICLAGEM A N\u00cdVEL GLOBAL, SE O DESPERD\u00cdCIO AUMENTA EM IGUAIS OU MAIORES PROPOR\u00c7\u00d5ES?\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Como conseguimos ent\u00e3o enquanto sociedade p\u00f4r fim aos problemas ambientais que caus\u00e1mos?<\/strong><\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o \u00e9 muito complexa, ainda para mais quando temos a tend\u00eancia de olhar para estas coisas apenas do nosso ponto de vista. Num momento em que j\u00e1 percebemos que n\u00e3o podemos continuar a extrair, produzir, consumir e descartar ao ritmo sempre crescente que temos vindo a fazer, normalmente esquecemo-nos que existem ainda muitos milh\u00f5es de pessoas que ainda n\u00e3o conseguiram satisfazer as suas necessidades b\u00e1sicas e que necessitam, efetivamente, de crescer. Quem somos n\u00f3s, no alto da nossa superioridade moral de pa\u00edses desenvolvidos, para dizer que as pessoas de pa\u00edses em desenvolvimento n\u00e3o podem ter o nosso estilo de vida? Que n\u00e3o t\u00eam direito a ter o que n\u00f3s temos? Para estas pessoas poderem crescer, n\u00f3s temos de diminuir. A solu\u00e7\u00e3o passa por arranjar um lugar \u00e0 mesa para toda a gente se poder sentar \u2013 e n\u00e3o comprar uma mesa maior ou arranjar muitas mesas pequeninas. Trata-se de equidade \u2013 todos temos o direito a ter uma vida saud\u00e1vel, feliz e em seguran\u00e7a, independentemente do lugar no mundo em que nos encontramos.<\/p>\n<p><strong>No que toca ao cidad\u00e3o comum, quais as suas recomenda\u00e7\u00f5es para ajudar a reverter este caminho? Este livro diz ser um manual para esta jornada.<\/strong><\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os t\u00eam o poder de mudar o mercado essencialmente do lado do consumo. Cada vez que compramos alguma coisa, estamos a votar com o nosso dinheiro e a dar sinais ao mercado de que validamos um tipo de produto, empresa ou servi\u00e7o. Estamos implicitamente a concordar com os ingredientes, modos de produ\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas sociais, ambientais ou humanas que estejam por tr\u00e1s. Uma das coisas que podemos come\u00e7ar j\u00e1 a fazer \u00e9 perceber como queremos gastar o nosso dinheiro e utilizar os nossos valiosos votos.<\/p>\n<p>J\u00e1 os h\u00e1bitos, podem ir desde comprar a granel com sacos\/fracos reutiliz\u00e1veis, a aprender a dizer n\u00e3o e a recusar tudo aquilo que n\u00e3o interessa para a nossa vida, at\u00e9 \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de uma alimenta\u00e7\u00e3o predominantemente vegetariana, em que o consumo de produtos animais (e seus derivados) \u00e9 diminu\u00eddo drasticamente. Os h\u00e1bitos ou os comportamentos que podemos alterar ou melhorar para vivermos de forma mais amiga do planeta s\u00e3o in\u00fameros e dependem apenas de uma coisa: da nossa vontade de mudar. Cada um ao seu ritmo, fazendo o que pode, sem julgamentos. \u00c9 assim que fazemos a sociedade avan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Uma vez que o consumismo \u00e9 precisamente um dos grandes problemas que causam danos ao planeta, como podemos fazer compras mais amigas do ambiente? Deixe-nos, por fim, algumas sugest\u00f5es para o cidad\u00e3o se tornar num consumidor consciente.<\/strong><\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o. Informa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o. Ser um cidad\u00e3o consciente \u00e9 sin\u00f3nimo de ser um cidad\u00e3o informado. Apenas quando conhecemos o impacto das nossas a\u00e7\u00f5es no planeta e percebemos que existem alternativas, conseguimos caminhar rumo a um mundo mais justo e sustent\u00e1vel. Mudar e sair dos padr\u00f5es de consumo impostos pela sociedade requer muita coragem, mas asseguro que \u00e9 um processo extremamente recompensador e libertador!<\/p>\n<p>Comprar de forma mais amiga do ambiente? Bem, a minha primeira recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o comprar coisas novas! Sempre que poss\u00edvel, compre em segunda m\u00e3o ou frequente mercados de trocas. Vai ficar surpreendido com as coisas incr\u00edveis que se podem encontrar nestes locais. Caso tenha mesmo de comprar novo, privilegie o com\u00e9rcio e produ\u00e7\u00e3o local, altos padr\u00f5es de qualidade e, no caso de bens tecnol\u00f3gicos, aposte em marcas que se comprometam com a repara\u00e7\u00e3o dos produtos e tenham uma boa pol\u00edtica de descarte em final de vida. No in\u00edcio, pode ser dif\u00edcil preocupar-se com todas estas quest\u00f5es, mas, acredite, trata-se apenas de uma quest\u00e3o de h\u00e1bito.<\/p>\n<p>SAPO.\u00a0<b>Leila Teixeira: \u00abA principal chave para ajudarmos o ambiente \u00e9 reduzir de forma dr\u00e1stica a quantidade de res\u00edduos que produzimos\u00bb<\/b>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sapo.pt\/noticias\/planeta\/artigos\/leila-teixeira-a-principal-chave-para-ajudarmos-o-ambiente-e-reduzir-de-forma-drastica-a-quantidade-de-residuos-que-produzimos. Acesso em: 14 jul. 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabia que o tamanho dos frigor\u00edficos contribui para o aumento do desperd\u00edcio alimentar? Ou que o pre\u00e7o que pagamos pelas nossas coisas \u00e9 ilusoriamente baixo? Leila Teixeira \u00e9 mentora do \u00c2ncora Verde, um projeto de educa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o ambiental, e cofundadora da Ra\u00edzes Mag. 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